Gladys West – A Mulher Por Trás do GPS

Por Amelia Butterly

https://www.bbc.com/news/world-43812053

Tradução: Prof. Fábio Matos

 

Do satélite de navegação instalado em seu carro, às etiquetas (tags) nas postagens de sua mídia social, muitos de nós utilizamos os sistemas de posicionamento global, ou GPS, todo dia. 

Gladys West é uma das pessoas cujo trabalho foi essencial para o desenvolvimento da matemática por trás do GPS. Até agora a sua história não foi contada.

Quando a Senhora West começou sua carreira no Centro Naval de Guerra de Superfície no estado da Virginia USA em 1956, apenas uma mulher negra e mais dois homens negros trabalhavam ao seu lado.

“Eu assumi este fardo, acreditando que eu deveria fazer o melhor que eu pudesse,” diz ela.

“Sempre fazendo tudo de maneira correta, para me tornar um exemplo para as outras pessoas que eram subordinadas a mim, especialmente mulheres.”

“Eu me esforcei muito e dei o meu melhor.”

 

 

A Senhora West nasceu em 1930, no Condado Dinwiddie, Virginia – “um lugar rural de verdade” como ela o descreve.

Muitos dos seus familiares mais próximos eram meeiros – inquilinos de uma fazenda e tinha que dar uma porção de sua colheita para os proprietários das terras.

Sua família tinha sua própria fazendinha e ela tinha que trabalhar nos campos com eles.

“Eu acho que isso era algo bem diferente do que eu tinha em mente,” diz ela.

A Senhora West era ambiciosa; ela não queria ficar colhendo tabaco, milho ou algodão como o pessoal que ela via ao seu redor. Assim como, também, não queria trabalhar em uma fábrica vizinha, processando o tabaco para cigarros e cachimbos.

“Eu pensei, primeiro vou para a cidade. Eu deveria sair do campo, sair das plantações,” diz ela.

“Assim, quanto mais eu estudava, e avançava para as séries seguintes, eu aprendi que a educação me tiraria do campo e das plantações.”

Na escola em que estudou, as pessoas vieram até ela e ofereceram uma vaga na Universidade local. Sua família “não tinha todo aquele dinheiro” e a Senhora West sabia que aquela era a sua grande chance. Ela trabalhou duro, e graduou-se como a primeira de sua turma no colégio, assegurando assim aquela vaga na Universidade.

“Quando chegou o momento de ir para a Universidade, eu praticamente não sabia em que me graduar.”

“Eles me disseram que já que eu era boa aluna em todas as disciplinas, então eu deveria me graduar em ciência ou matemática ou alguma coisa que era mais difícil para a maioria das pessoas se formar.”

Ela escolheu matemática, um curso que na Universidade era composto por maioria masculina.

Ela se sentiu um pouco diferente. Mas no entanto, não se sentira bem fazendo economia domestica.

“Você sempre está competindo e tentando sobreviver, quando é inserido em a um grupo diferente de pessoas.”

As poucas amigas de classe que teve seguiram carreiras diferentes como a educação. A Senhorita West também ensinou durante alguns anos mas com sua graduação ela teve oportunidades em outros lugares e acabou se mudando para trabalhar na base naval em Dahlgreen.

 

 

A Senhora West deveria coletar e processar a informações dos satélites, utilizando-as para ajudar a determinar a sua localização exata. Estes dados ajudaram a desenvolver o GPS.

“Nós nos sentávamos em nossas mesas e trabalhávamos em todos os passos lógicos para  resolver os problemas matemáticos,” explica ela.

Então ela tinha que trabalhar com os programadores os algoritmos para as funções matemáticas que seriam inseridas naqueles computadores gigantes.

“Mais tarde, os operadores dos computadores nos chamavam para nos dizer que o programa estava funcionando e que poderíamos ir até lá para observar.”

“Assim que chegávamos lá, víamos aquele imenso computador chacoalhando. Então pegávamos alguns resultados.”

“Nove de cada dez resultados não estavam completamente corretos, então você tem que analisa-los e descobrir o que é que estava diferente do que se esperava.”

 

Esta foto, tirada em 1956, mostra o tamanho enorme dos primeiros computadores

 

Ao mesmo tempo que a Senhora West estava trabalhando como matemática, os movimentos de direitos civis estavam ganhando força nos EUA. A campanha liderada por figuras como Martin Luther King e Malcolm X, desafiavam o racismo em todo país.

Mais que 250 mil pessoas marcharam para o Memorial Lincoln, para ouvir o discurso “Eu tenho um sonho”. Mas o trabalho da Senhora West a deixou fora daquele movimento.

“Nós estávamos trabalhando para o governo e não podíamos ter qualquer papel na participação de atividades não governamentais fora da base.”

“Nós vivíamos dentro da base e mal podíamos nos comunicar com a comunidade ao nosso redor.

“Nós não nos envolvemos com o movimento de direitos civis, em parte, porque não seria seguro para o trabalho, fazê-lo.”

Um pouco depois de começar a trabalhar na base, a Senhora West se apaixonou pelo homem que viria a ser o seu marido – Ira West, um de seus dois colegas negros. Eles se casaram, começaram uma família e estão juntos por mais de 60 anos.

Ela continuou a trabalhar com matemática e seu trabalho foi premiado quando ela recebeu uma condecoração departamento de defesa em 1979.

A Senhora West assumiu a gerência do projeto do radar Seasat, o primeiro satélite capaz de analisar remotamente os oceanos.

 

 

Aposentando em 1998, após mais de 40 anos de carreira, ela e Ira decidiram marcar essa nova era de suas vidas viajando.

Então a Senhora West retornou para a educação – trabalhando em um PhD – mas ela sofreu um derrame que afetou sua audição, visão, equilíbrio e mobilidade, e a deixou se sentindo miserável.

“Foi tudo de repente,” disse ela, “as palavras vieram à minha cabeça: Você não pode ficar na cama, você tem que levantar daqui e conseguir o seu PhD.”

Ela não só conseguiu seu PhD, ela também venceu outros desafios para sua saúde, incluindo um câncer de mama que foi diagnosticado a alguns anos atrás.

Foi quando um membro da Irmandade de sua Universidade, Alpha Kappa Alpha, leu uma breve autobiografia  que a Senhora West havia submetido para uma função na associação de ex-alunos, que as suas conquistas ganharam holofotes.

Desde então, artigos sobre a Senhora West têm aparecido na imprensa local, estudantes têm feito trabalhos de escola a seu respeito e ela foi oficialmente reconhecida pelo Senado da Virginia.

Uma resolução conjunta aprovada em Fevereiro, a condecorou “por sua carreira pioneira em matemática e contribuições vitais para a tecnologia moderna”.

Em uma mensagem, para a Celebração do Mês do Negro na História (Black History Month), escrita em 2017. O Capitão Godfrey Weekes, então oficial comandante em Dahlgren, disse que a Senhora West desempenhou um “papel integral” no desenvolvimento do GPS.

Quando Gladys West começou sua carreira como matemática em Dahlgren em 1956, ela não fazia a menor idéia de que seu trabalho poderia ter impacto no mundo nas décadas seguintes.

“Eu acho que eu ajudei,” diz ela, ao ser colocada como um modelo para as outras mulheres.

“Nos fizemos bastante progresso desde que eu cheguei, pois agora, podemos falar mais sobre as coisas e temos mais abertura.”

“Antes nós podíamos apenas sussurrar umas com as outras, mas agora o mundo está se abrindo um pouco e se tornando mais fácil para as mulheres. Mas ainda temos que continuar lutando.”


Tradução e Edição: Prof. Fábio Matos

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