Superterra é encontrada em nossa vizinhança galática!

Por Fábio Matos

Essa imagem mostra uma impressão artística da superfície do planeta.   – Image Credit: ESO/M. Kornmesser

A potencial descoberta de um planeta orbitando a Estrela de Barnard, a segunda mais próxima do Sol ,  foi anunciada por pesquisadores no dia 14 de novembro de 2018. 

Essa descoberta nos leva até os limites do que podemos conseguir com os atuais instrumentos astronômicos, dessa forma os autores estão, compreensivelmente, cautelosos ao falar “candidato a planeta”, ao invés de descoberta confirmada.


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O novo exo-planeta, se ele existir, é um mundo congelado com apenas três vezes a massa da Terra, a só foi descoberto graças à exaustiva pesquisa que foi feita por várias equipes de astrônomos ao redor do globo.   

Então, o que esse achado representa, e por que ele é tão importante?

A Estrela de Barnard é uma Antiga Rebelde Galáctica.

Com um brilho é 16 vezes menor que o limite mínimo para se enxergar qualquer objeto a olho nu, Barnard é uma anã vermelha significativamente mais velha que o Sol. Se desconsideramos o sistema de Alpha Centauri, ela é a estrela mais próxima do sistema Solar.

O que mais chama atenção na Estrela de Barnard é a taxa com a qual rasga o céu noturno.  Ela se move tão rapidamente em relação às estrelas de fundo que poderia percorrer o diameter de uma Lua cheia em pouco mais de 100 anos.

 Na metade do século passado, o astrônomo Peter van de Kamp estava convencido que a Estrela Barnard estava acompanhada de dois planetas juperianos. Por várias decades, a partir de final dos anos de 1930, ele estudou a estrela, registrando uma miriade de imagens, e observando o seu movimento contra as estrelas de fundo.

Mais que se mover em linha reta, suas observações sugeriam que a Estrela estava balançando enquanto se movia, para frente e para trás como se fosse puxada por companheiros invisíveis. Essa informação invocava a presença de dois planetas atraindo a estrela enquanto esta se movia através do espaço.

Mas apesar de seus esforços, astrônomos de todo lugar não conseguiram encontrar nenhuma evidência dos mundos de van de Kamp. Onde suas observações mostravam uma estrela balançando, a deles não mostrava mostrava balanço – apenas um movimento linear através do espaço.

O que estava acontecendo? As observações de van de Kamp foram feitas utilizando um grande telescópio refrator, e os astronomos perceberam que as lentes objetivas do telescópio foram limpas e modificadas diversas vezes durante as décadas de seu estudo. Essas mudanças causaram a falsa impressão da Estrela de Barnard estar se movendo para frente e para trás em relação às estrelas de fundo.

Os planetas jupiterianos ao redor da estrela de Barnard não existiam mais. 

Pesquisas sucessivas descartaram planetas cada vez menores. Agora os astrônomos estão confiantes que não existe planeta com massa superior a dez Terras no sistema. O que nos trás à nossa nova descoberta. 

A Nova Descoberta

O novo candidato a planeta, Estrela de Barnard b, deve ter uma massa, com medida, entre a Terra e Netuno. Por enquanto não existe nenhum planeta com essas dimensões em nossa vizinhança, apesar do observatório Kepler ter reveled que estes planetas são muito comuns no cosmos.

Barnard b orbita sua estrela hospedeira a uma distancia de 60 milhões de quilômetros. O que sugere ser um mundo quente, mas a Estrela de Barnard é um objeto pequeno, muito menos luminoso que o Sol. Como resultado, Barnard b está muito além da distância necessária para se ter água no estado líquido. Isso significa que ele deve ser um mundo congelado. 

Essa imagem representa uma visão artística do que seria o planeta visto do espaço. – Image Credit: ESO/M. Kornmesser

Mas essa orbita congelada aumenta nossa confiança de que o planeta pode realmente estar lá. Planetas demoram milhões de anos para se formar em discos de material de ao redor de estrelas jovens. Grãos de poeira (e gelo) colidem lentamente, formando mundos gigantescos. Eventualmente, o disco de gás e poeira é soprado para longe, deixando para trás algum planeta formado.

Isso prevê que planetas se formarão mais rapidamente, e crescerão mais rapidamente, apenas em orbitas mais distantes, onde a presença de gelo de água aumentará e muito a quantidade de material sólido para o mundo em formação. 

Em outras palavras, os planetas mais massivos de um dado sistema devem se formar em órbitas mais distantes (órbitas frias). O que é uma verdade em nosso sistema Solar – Júpiter. E também parece ser verdadeiro para a Estrela de Barnard – Se o planeta realmente existir. 

Uma Descoberta Oportuna

Se Barnard b existir, sua descoberta não poderia ter vindo em momento mais oportuno. Pois ao orbitar uma estrela bem próxima ao nosso sistema Solar, o torna um alvo perfeito para futuras observações. 

Existem algumas maneiras de se verificar a existência de um planeta. Em um futuro próximo, a resposta deve vir com a missão Gaia, que passou os últimos anos medindo, com precisão, as posições e distâncias de cerca de dois bilhões de estrelas no céu noturno

Toda vez que GAIA observa a Estrela de Barnard, ela mede sua localização com uma precisão muito maior que qualquer outro observatório antes dela seria capaz. Se existe um planeta orbitando a estrela, com massa três vezes a da Terra, o uso da mesma técnica apresentada por van de Kamp deverá revelar sua presença. 

Na próxima década, a nova geração de observatórios astronômicos revolucionará nossa habilidade perscrutar o espaço próximo às estrelas, procurando pelo pequeno brilho de seus planetas ao refletir a luz de suas estrelas hospedeiras.

Como a Estrela de Barnard está próxima, a separação entre o planeta e a estrela no céu é relativamente grande. Se o planeta estiver realmente lá, nós, certamente, conseguiremos nossas primeiras imagens confirmando a sua existência nos próximos dez anos. 

Além disso? Quem sabe. Uma coisa que aprendemos nessa era dos exoplanetas é que, onde um planeta se esconde deve haver outros. Se a existência de Barnard b for confirmada, ela pode indicar que existem outros mundos menores orbitando esta antiga estrela.

Fonte: The Conversation

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